Carvalhais: uma floresta produtiva, biodiversa e resiliente à escala da paisagem

01 out 2026
A 4 de setembro de 2026, a Antarr recebeu o Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, no Baldio de Carvalhais, em São Pedro do Sul. A visita permitiu mostrar no terreno o trabalho que está a ser desenvolvido naquele que é o primeiro projeto da Antarr numa área contratada com uma Comunidade Local, em plena Rede Natura 2000, e discutir o papel da gestão profissional na recuperação e valorização do território.

Uma floresta pensada para ser resiliente

Porque escolheram plantar aqui um mosaico de espécies?

Porque o nosso objetivo não é maximizar uma única produção, mas sim construir uma paisagem resiliente. Em 1975, 1984, 1995, 2005, 2010 e 2016 houve perdas significativas de património florestal no concelho de São Pedro do Sul, e existem áreas que foram percorridas por fogo cinco ou mais vezes em 40 anos. O ciclo médio de fogo, ou período de retorno, é de 16 anos.

Cada espécie desempenha uma função diferente: algumas geram rendimento regular, outras aumentam a resistência ao fogo, outras promovem a biodiversidade ou protegem as linhas de água. A combinação de espécies e usos do solo permite reduzir riscos, aumentar a capacidade de adaptação às alterações climáticas e criar múltiplas fontes de rendimento para o território. A floresta do futuro não pode depender de uma única espécie nem de um único produto.

 

Foto: Jorge Oliveira – MAM

 

Em 2023, o Baldio de Carvalhais foi alvo de uma remodelação completa do uso do solo. Desde então, as operações têm-se concentrado na manutenção das áreas, de acordo com o modelo de silvicultura de cada espécie, e na gestão da vegetação com vista à prevenção de incêndios.

Atualmente, as coníferas ocupam 36% da área, os carvalhos 13%, outras folhosas 12% e as galerias ripícolas 10%. Com a intervenção realizada, prevê-se reduzir a incidência de incêndios dos atuais 6,2% para menos de 1% — uma questão particularmente relevante para a comunidade, num território marcado pelo abandono das terras e pelo despovoamento rural.

 

Foto: Jorge Oliveira – MAM

O que ganha uma comunidade ao celebrar um acordo com a Antarr?

A gestão florestal não pode ser dissociada das pessoas que vivem e trabalham no território. Para uma Comunidade Local, a celebração de um acordo de longo prazo pode representar uma mudança significativa na forma como o território é valorizado e gerido.

O primeiro benefício é uma renda estável que os compartes recebem e que substitui o risco. Uma área que tenha ardido cinco vezes nos últimos 40 anos dificilmente gera qualquer rendimento; se a comunidade recebesse uma renda, teria pelo menos esse rendimento.

Depois, evita custos de manutenção de caminhos e de Faixas de Gestão de Combustível, e o território passa a ter acesso a investimento que a comunidade dificilmente conseguiria mobilizar sozinha.

Além disso, apoiamos a criação de equipas locais de serviços florestais — leia aqui o artigo sobre as Unidades de Trabalho Florestal — e criamos oportunidades económicas associadas à gestão da floresta. O sucesso do projeto depende de as comunidades o sentirem como uma oportunidade de desenvolvimento local.

Mas o benefício vai além da dimensão económica. Em muitos destes territórios, os incêndios recorrentes deixaram uma marca profunda nas comunidades, alimentando um ciclo de perda de rendimento, degradação da paisagem e abandono rural. A gestão ativa do território ajuda a quebrar esse ciclo, reduzindo o risco de grandes incêndios e devolvendo às populações maior confiança no futuro do seu território.

 

Foto: Jorge Oliveira – MAM

Não basta investir. É preciso capacidade de execução.

A experiência de Carvalhais demonstra também que não basta financiar a arborização, a gestão de combustível ou o restauro da paisagem. É necessário investir na capacidade de execução.

Sem empresas profissionalizadas, equipamentos adequados e trabalhadores especializados, o investimento aprovado não se transforma em hectares efetivamente geridos no terreno.

É esta capacidade de transformar planeamento e investimento em gestão contínua que permite consolidar os resultados ao longo do tempo.

 

Foto: Jorge Oliveira – MAM

Um modelo pensado à escala da paisagem

Porque é que este projeto é diferente?

Porque junta três elementos que raramente coexistem: escala, gestão profissional e visão de muito longo prazo. Muitos projetos florestais têm um foco específico, seja na produção, seja na conservação. Na Antarr, procuramos integrar produção, biodiversidade, mitigação do risco de incêndio, captura de carbono e desenvolvimento local num único modelo de gestão. Além disso, trabalhamos com contratos de muito longo prazo e à escala da paisagem.

É esta abordagem integrada que está na base do projeto de Carvalhais: uma floresta que não é pensada apenas em função de uma espécie, de uma produção ou de uma intervenção isolada, mas como parte de um sistema territorial mais amplo.

 

Foto: Jorge Oliveira – MAM

Carvalhais como projeto de referência

O Baldio de Carvalhais será sempre um projeto de referência para a Antarr. Demonstra que existe capital privado, capacidade técnica e disponibilidade das comunidades para recuperar e valorizar a paisagem.

O desafio passa agora por criar condições para que modelos desta natureza possam ser replicados à escala de Portugal, mobilizando mais território, mais investimento e mais capacidade de execução.

Projetos como este podem também assumir um papel relevante na execução das políticas de floresta, conservação da Natureza e coesão territorial, nomeadamente na concretização das metas definidas no Plano de Intervenção para a Floresta 2025-2050 (PIF 2050) e no Plano Nacional de Restauro da Natureza.

Da gestão do território à política pública

A experiência desenvolvida em Carvalhais permite também refletir sobre o papel que as Empresas de Gestão Florestal podem desempenhar na concretização destas políticas.

A recuperação de territórios degradados exige investimento, conhecimento técnico, capacidade operacional e relações de longo prazo com as comunidades locais. É nessa articulação entre capital, gestão profissional e território que a Antarr procura contribuir para uma transformação estrutural da paisagem.

Durante a visita, tivemos ainda oportunidade de ouvir as recomendações do Senhor Ministro sobre temas como o futuro financiamento do restauro, a pastorícia estratégica e a prevenção de incêndios rurais — questões relevantes para a gestão futura destes territórios.

 

Uma construção conjunta

A visita de trabalho contou com a presença de representantes dos acionistas da Antarr, FCG e Efanor, cuja visão estratégica e compromisso de longo prazo são determinantes para o desenvolvimento desta missão.

Um agradecimento especial também ao Presidente da União das Freguesias de Carvalhais e Candal, Adriano Azevedo, enquanto responsável pelo Baldio, pela exigência que desde o início colocou à nossa proposta e pelo entusiasmo com que abraçou os projetos da Unidade de Trabalho Florestal e do pastoreio.

 

Foto: Jorge Oliveira – MAM

Uma floresta preparada para o futuro

Para Pedro Lencart, Diretor-Geral da Antarr, Carvalhais demonstra que é possível combinar diferentes dimensões da gestão do território num mesmo modelo:

“É possível transformar territórios degradados em paisagens produtivas, biodiversas e resilientes através de gestão profissional, visão de longo prazo e envolvimento das comunidades locais.”

Foto: Jorge Oliveira – MAM

O Diretor-Geral da Antarr destaca ainda o papel das Empresas de Gestão Florestal enquanto parceiros na execução da política florestal e de conservação da Natureza e reforça a disponibilidade da Antarr para contribuir para os objetivos do PIF 2050 através do seu modelo de triplo impacto: económico, ambiental e social.

Carvalhais é, para a Antarr, um exemplo concreto dessa abordagem: um território onde produção, biodiversidade, prevenção de incêndios, carbono e desenvolvimento local são pensados de forma integrada e com uma visão de longo prazo.

Seguimos focados em construir uma floresta mais cuidada, resiliente e preparada para o futuro.

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